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Ministro do Turismo é denunciado pelo MP pelo laranjal do PSL

Entre os demais denunciados estão ex-assessores do ministro, como Haissander de Paula e Mateus Von Rondon, presos em junho deste ano, além de acusadas de serem candidatas laranjas, como Camila Fernandes, Débora Gomes e Naftali Tamar

05 Out 2019 - 11:24

Renato Souza - correio brasiliense

Ministro do Turismo é denunciado pelo MP pelo laranjal do PSL

(foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Baseado-se em informações repassadas pela Polícia Federal, o Ministério Público denunciou o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e outras 10 pessoas por envolvimento no esquema de candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais. As diligências conduzidas pela PF concluíram que Marcelo era chefe do esquema de desvio de fundos públicos. Segundo as investigações, mulheres se lançaram candidatas, nas eleições de 2018 para preencher as cotas exigidas pela legislação partidária. No entanto, as verbas eram desviadas para beneficiar envolvidos no esquema criminoso. Apesar da denúncia, o presidente Jair Bolsonaro decidiu manter o ministro no cargo e “aguardar o desenrolar do processo”.

Na manhã desta sexta-feira (4/10), a PF encaminhou ao Ministério Público as informações sobre as diligências. No documento, o ministro é descrito como “o ‘dono’ do PSL mineiro”. Na ocasião em que as irregularidades ocorreram, ele era presidente estadual do partido. Para a corporação, Marcelo Álvaro Antônio “possuía o total domínio do fato, controle pleno da situação, com poder de decidir a continuidade ou interrupção do repasse de recursos do fundo partidário”.

Entre os demais denunciados estão ex-assessores do ministro, como Haissander de Paula e Mateus Von Rondon, presos em junho deste ano, além de acusadas de serem candidatas laranjas, como Camila Fernandes, Débora Gomes e Naftali Tamar. A PF atribui aos investigados os crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita eleitoral e associação criminosa. Essas ilegalidades têm penas previstas de seis, cinco e três anos respectivamente.


O promotor de Justiça Eleitoral, Fernando Abreu, afirma que houve repasse de verba destinada para candidaturas femininas para concorrentes do sexo masculino, o que caracteriza desvio de dinheiro. “O que se percebeu, de acordo com a prova dos autos, foi a formação de uma associação criminosa com o objetivo de direcionar recursos recebidos pelas candidatas mulheres para candidatos homens. Diante desse contexto, chegou-se à conclusão de que havia duas lideranças. Na verdade, um beneficiário direto, o denunciado Irineu, e talvez a liderança direta dessa associação, o denunciado Marcelo”, disse o promotor.

A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), integrante da base do governo no Congresso, citou a presunção de inocência, prevista na Constituição Federal, e defendeu a permanência do ministro no governo até o fim do processo. “Basta você entrar na política para ter processo e inquérito, e nós temos que respeitar que todos são inocentes até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória e ponto final. Por esse motivo, eu sequer vou tocar nesse assunto”, disse.

O senador Major Olímpio, um dos congressistas mais próximos ao presidente Jair Bolsonaro, defendeu o afastamento do ministro. No entanto, lembrou que Marcelo é deputado federal e poderá voltar ao Legislativo caso saia do governo. “Sempre lembrando que indiciamento não é prejulgamento ou que já se esgotaram as chances de ele se defender. Eu, particularmente, no lugar do Marcelo Álvaro, pediria para sair do ministério para me defender, com os argumentos na Justiça, e retornaria à Câmara dos Deputados”, disse. 

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