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Pesquisa sobre o novo coronavírus resulta na prisão de 55 pessoas

Colaboradores foram alvos da truculência policial e de “fake news”

22 Mai 2020 - 11:55

Por: Redação redacaomuvuca@gmail.com

Pesquisa sobre o novo coronavírus resulta na prisão de 55 pessoas

REPRODUÇÃO

ato Grosso registra 55 prisões de pesquisadores que atuam na primeira fase de pesquisa para levantar a evolução dos casos de covid-19 no país, financiada pelo Ministério da Saúde (MS). As 4 últimas ocorreram em Cuiabá, na quinta-feira (21). Coordenada pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e aplicada por pesquisadores do Ibope Inteligência, a primeira fase, que transcorreu entre 14 e 21 de maio, ficou inviabilizada em 4 das 5 cidades em que deveria ocorrer: Cuiabá, Barra do Garças, Sinop, Rondonópolis e Cáceres. A pesquisa abrange 133 municípios brasileiros com realização de cerca de 100 mil testes.

Segundo Renato Neri, coordenador da pesquisa no Estado, os colaboradores trazidos de outros estados a Mato Grosso foram alvos da truculência policial e das “fake news”, que colocaram parte da população contra eles. Algumas notícias falsas diziam que os pesquisadores tinham o objetivo de contaminar os entrevistados com o coronavírus. A única cidade em que a pesquisa conseguiu avançar foi Cáceres, apesar da prisão de 15 colaboradores do Ibope por lá. Mas, após as prisões, o prefeito pessoalmente se empenhou e possibilitou que a pesquisa fosse concluída. Em Rondonópolis, foram 5 prisões e a pesquisa ficou inviabilizada pela administração municipal que, com grande burocracia, tornou impossível a coleta de dados e amostras de sangue.

Em Barra do Garças, a situação foi muito pior, afirma Neri. Ao todo 16 pesquisadores foram presos e, ao contrário do que ocorreu nas demais cidades, os pesquisadores foram todos autuados em Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e responderão pelos artigos 132, 268 e 47 do código penal, acusados de colocar em risco a saúde da população e por atuarem sem a presença de profissional de saúde. Todo material apreendido foi contaminado e perdido, e os tabletes usados pelas equipes só serão entregues na próxima semana. Em Sinop, foram 15 prisões e o trabalho não foi realizado.

Lamenta as situações constrangedoras pela qual passaram os profissionais, que inclusive tiveram as imagens expostas na mídia, tratados como criminosos. Lembra ainda dos prejuízos aos cofres públicos, já que o financiamento é do próprio Ministério da Saúde. Em Cuiabá, a delegada Jannira Laranjeiras, da Central de Flagrantes, recebeu a ocorrência trazida pelos policiais militares, que fizeram a detenção dos pesquisadores no bairro CPA 1. Ela disse que teve dificuldade em obter, na própria Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a confirmação de que se tratava de pesquisa autorizada. Em um primeiro momento, foi alegado desconhecimento, só mais tarde conseguiu a informação de que o município tinha conhecimento do trabalho.

Com informações do Jornal A Gazeta 

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