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Procura outro para pagar a sua vacina, diz Bolsonaro a Doria

30 Out 2020 - 15:15

Por Tiago Pereira, da RBA

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a vacina CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan de São Paulo. Na live desta quinta-feira (29), Bolsonaro se opôs à vacinação obrigatória e negou recursos para financiar os esforços de imunização do governo paulista, com ataques ao governador João Doria (PSDB).

Além disso, o presidente prometeu reeditar decreto para a realização de estudos a respeito da possível privatização das unidades básicas de saúde (UBSs).

“Ninguém vai tomar a sua vacina na marra não, tá ok? Procura outro. Eu, que sou governo, o dinheiro não é meu, é do povo, não vou comprar a sua vacina também não, tá ok? Procura outro para pagar a sua vacina aí”, disse Bolsonaro, em transmissão pelas redes sociais.

 

Enquanto isso, o Brasil já soma mais de 158 mil mortos pela covid-19.

Privatização do SUS

Na transmissão, Bolsonaro também afirmou que deve apresentar decreto que abre a possibilidade da iniciativa privada administrar as UBSs em todo o país. Publicado na última terça-feira (27), o governo foi obrigado a recuar no dia seguinte, diante da repercussão negativa, anunciando a revogação da medida. Mas o presidente deve insistir.

“Revoguei o decreto, fiz uma nota explicando o que era esse decreto, dizendo que nos próximos dias poderia reeditar o decreto, o que deve acontecer na semana que vem”, disse o presidente.

Cada um por si

Sobre a Coronavac, a vacina contra a covid-19 em estágio mais avança de pesquisa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também negou auxílio financeiro. Em audiência pública na Comissão Mista do Congresso Nacional para o acompanhamento de medidas contra a covid-19 Ele afirmou que já mandou “bastante dinheiro para São Paulo gastar com a Saúde”.

Também destacou que são várias iniciativas estaduais associadas às vacinas pesquisadas internacionalmente. E que a caberia ao Ministério da Saúde indicar “a melhor”, segundo ele. “Agora, não pode um governador querer vender vacina para governo federal antes de aprovação pela Anvisa”, disse.

Contrariando os indícios, como o que vem ocorrendo na Europa e também em Manaus, Guedes também disse acreditar que o Brasil não deve passar por uma segunda onda da doença.

Assim como Bolsonaro, o ministro também se posicionou contra a vacinação obrigatória. “Eu sou liberal, e acredito que a vacina é uma decisão voluntária de cada um. Se o sujeito preferir ficar trancado em casa seis anos sem trabalhar, sem ter contato com ninguém e sem tomar a vacina, problema dele. Se ele quiser sair e tomar três vacinas, ele pode. Tem que conversar com o médico dele”, afirmou.

Mundo da lua

Ainda na quarta-feira (28), Bolsonaro acusou Doria de aumentar impostos em São Paulo. E, mais uma vez, atacou a obrigatoriedade da vacina. “É um absurdo obrigar tomar vacina. Porque o cara que toma a vacina, sendo eficaz, está protegendo a sua vida. Quem não quer tomar, o problema é dele. Uma vacina boa o pessoal vai tomar, agora obrigar essa ou aquela começa a gerar interesses outros que prefiro não comentar”, disse o presidente.

Por outro lado, Doria reagiu aos ataques: “Recomendo ao presidente Bolsonaro parar de me atacar e começar a trabalhar. O povo não quer briga, quer emprego. O Brasil não quer divisão, quer compaixão. O Brasil não quer um presidente que só pensa em reeleição”, declarou o governador, pelas redes sociais.

Novela sinistra

Na semana passada, o governo Bolsonaro chegou a assinar um protocolo de intenções para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. No entanto, na quarta-feira passada (21), um dia após o anúncio do acordo, Bolsonaro desautorizou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, cancelando o acordo.

Bolsonaro chegou, até mesmo, a acusar o ministro de traição. Depois da volta atrás, o presidente visitou Pazuello, suspeito de ter contraído a covid-19, para tentar contornar o desgaste. “Um manda e o outro obedece”, disse o ministro, na ocasião.

Já nesta quinta-feira (28), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou hoje que autorizou a importação de matéria-prima para o início da produção local da CoronaVac. Contudo, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, chegou a atribuir à agência o atraso no cronograma de vacinação.

A solicitação de importação dos insumos havia sido feita há mais de um mês, segundo ele. Anteriormente, o próprio governador João Doria havia anunciado que a vacinação para profissionais de saúde e pessoas do grupo de risco começaria em dezembro. Diante dos atrasos, em parte em função da disputa com o governo federal, a aplicação da vacina ficou para o ano que vem.

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