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Luiza Erundina sobre pressão política: "Querem me usar como bode expiatório"

23 Jan 2021 - 13:07

Cristiane Sampaio Brasil de Fato | Brasília (DF)

A deputada federal Luiza Erundina (SP), nome do PSOL na corrida que irá eleger um novo presidente para a Câmara dos Deputados, disse, nesta sexta-feira (22), que estaria sendo usada como “bode expiatório” no debate público que hoje envolve as dissidências do partido na decisão por uma candidatura própria.

A legenda sofre pressões internas e externas para desistir da chapa e apoiar o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP), composição que aglutina oficialmente 11 partidos (PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PCdoB e Rede), numa coalizão articulada por Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

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A fissura no PSOL envolve especialmente o argumento de que uma chapa exclusiva da legenda fortalece o candidato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Arthur Lira (PP-AL), por contribuir com a pulverização da disputa.

O cardápio político do pleito hoje conta com oito nomes confirmados. O coro contrário ao nome de Erundina envolve atores da sigla, internautas e um grupo de artistas, estes últimos envolvidos na organização de um manifesto que tenta pressionar a chapa para uma desistência.   

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A ex-prefeita de São Paulo, no entanto, sustenta que sua candidatura seria necessária por razões político-ideológicas e diz não entender o motivo da pressão sobre sua figura.

“Não sei por que tanta estranheza. É que estão buscando um bode expiatório pra justificar os equívocos que esses companheiros e companheiras do nosso campo estão cometendo”, acrescenta, sem citar nomes e afirmando ainda que cumpre “uma tarefa partidária”.   

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O PSOL já havia fechado posicionamento oficial anterior pela candidatura própria, a partir de debates feitos pela bancada na Câmara e pela executiva nacional.  

A manifestação de Erundina veio após um imbróglio público que começou depois de a CNN publicar, na noite de quinta-feira (21), que o partido estaria avaliando aderir ao bloco de Baleia Rossi.

Nesta sexta, sem mencionar diretamente a matéria, Erundina tocou no assunto pelo Twitter: “É lamentável que o PSOL negocie suas convicções e compromissos políticos históricos ao aderir ao fisiologismo e à barganha por cargos na Mesa da Câmara. Essa é uma prática dos partidos de direita com a qual eu não compactuo”. 

 A situação gerou mal-estar entre membros do PSOL e alguns nomes da sigla – como os deputados Marcelo Freixo (RJ), Sâmia Bomfim (SP) e Fernanda Melchiona (RS) – responderam à manifestação em clima de contestação. A troca de mensagens atiçou as divergências dentro da legenda e empurrou os problemas internos do PSOL para o centro do debate público sobre o tema.

“Respeito a Erundina, mas ela erra em tornar uma divergência tática numa acusação grave ao partido. Já questionei quem está negociando e quais são os cargos. Não obtive resposta. Nem obterei, pois a posição divergente é fruto de análise política, não de fisiologismo”, respondeu, Sâmia Bomfim, líder da bancada na Câmara.  

O presidente nacional da sigla, Juliano Medeiros, também comentou o assunto, pela mesma rede social. Em uma primeira postagem, ele negou informação dada pela CNN de que haveria alguma adesão em andamento no PSOL para apoiar outro bloco.

Depois, em outra mensagem, disse: “Como presidente do PSOL posso assegurar que nosso único compromisso nessa eleição da Câmara dos Deputados é com a plataforma representada e defendida por você. Quem negociar fora das instâncias do partido o faz em nome próprio, não do PSOL. Estamos com você”, disse Juliano.

Na sequência, o dirigente compartilhou postagem do correligionário e deputado federal Glauber Braga (RJ), que optou por um tom diplomático ao falar sobre o tema: “A notícia falsa na CNN foi plantada pra desestabilizar o PSOL. Erundina é nossa candidata e inspiração permanente. Divergências de posição entre quadros do partido foram de leitura política e buscam construir os melhores instrumentos pra enfrentar o bolsonarismo. Luta que segue”.

Primeiro turno

Ao Brasil de Fato, Erundina rechaçou também o argumento – contrário à sua candidatura e reforçado por diferentes nomes – de que a chapa psolista ajuda o candidato bolsonarista a vencer a disputa já em primeiro turno, um risco matemático do jogo, permeado de dissidências em várias siglas.   

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“Essa cobrança faz muito mais sentido de ser dirigida aos partidos do nosso campo. PT, PSB, PSB, PCdoB, além dos partidos da direita que têm eleitores do Lira, seja [neste ultimo caso] o DEM, seja o MDB. Quem mais precisaria ser cobrado do resultado são esses outros, que têm muitos votos, mas estão divididos. Como é que querem que os dez votos do PSOL sejam a solução?”, questiona.

*A íntegra da entrevista com a deputada federal Luiza Erundina será publicada neste sábado (23).

Edição: Leandro Melito

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