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Pecuaristas denunciam instalação de cerca elétrica na Baía de Chacororé e risco à tradição pantaneira; vídeos

11 Out 2021 - 13:47

Michael Esquer - OlharDireto

Pequenos pecuaristas e moradores de comunidades das zonas rurais de Barão de Melgaço (126 km de Cuiabá) e Santo Antônio de Leverger (34 km de Cuiabá) realizaram uma manifestação na última sexta-feira (8) contra a instalação de uma cerca elétrica na Baía de Chacororé. Com aproximadamente 3 quilômetros, a estrutura está cruzando ao meio a Área de Preservação Ambiental Permanente (APP) do Pantanal. 

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Em uma tradição secular, há pelo menos 150 anos os pantaneiros que moram nas proximidades da área inundável da região, criam gado de forma colaborativa na Baía, que tem cerca de 8 mil quilômetros quadrados de área. Durante a cheia, a região se transforma em um grande lago, com profundidade média de dois metros.

Quando as águas começam a baixar, são formadas lagoas que servem de bebedouro para o gado, e a pastagem que se transforma na principal fonte de alimento para os animais, tudo isso em meio a um cenário silvestre, com presença de outros animais nativos do Pantanal, que é conhecida pela sua riqueza de flora e fauna.

“Os moradores do entorno criam os seus animais ali no período de seca, livremente, todo mundo junto, respeitando a preservação do meio ambiente e não fazendo nenhuma interferência nesse meio ambiente. Agora, está entrando gente de fora, se aproveitando dessa seca extrema que a Bahia vive e cercando, colocando cerca dentro da Bahia”, explicou ao Olhar Direto, Rômulo Queiroz (PV), presidente da Câmara de Santo Antônio de Leverger. 



Conforme ele explica, parlamentares, entre eles o deputado estadual Allan Kardec (PDT), membro da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que esteve com os moradores durante o protesto realizado na sexta, pretendem criar um Projeto de Lei (PL) que assegure a tradição das famílias pantaneiras, que utilizam a região de forma colaborativa, sem interferência no ambiente. 

Em um vídeo publicado nas redes sociais na última quinta-feira (7), Kardec manifestou apoio a situação dos moradores, momentos antes de embarcar para a cidade para a realização de uma vistoria. Na postagem, ele disse que a população não pode deixar que a instalação irregular de terceiros aconteça na região alagável da Baía. 

“Isso é uma tradição secular, de mais de cem anos. [Eles] criam gado em comum, no período de seca, entre quatro e cinco meses e depois tira quando alaga, [mas] agora essa área foi cercada. Já teve atuação da Dema [Delegacia Especializada do Meio Ambiente], da Polícia Ambiental, do Ministério Público e agora na condição de ALMT e membro da comissão de meio ambiente estarei lá fazendo uma vistoria”, disse o parlamentar. 

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