Sábado, 29 de janeiro de 2022
informe o texto

Notícias | Brasil/Mundo

A Representatividade tem potencial de mudar a perspectiva de pertencimento de várias pessoas com deficiência

10 Jan 2022 - 18:04

Por por Deives Picáz, influencer e ativista

As primeiras identificações acontecem na infância, onde a criança tem como espelho suas figuras parentais (mãe, pai, tio, avó, prima etc) e isso se dá pelo fato de que aquela é a primeira realidade onde a criança se encontra, a vivência dentro de sua própria casa. Mas quando nasce uma criança com algum tipo de deficiência, qual referência na qual se assemelha a essa criança, ela encontra? Aí damos início à um assunto muito necessário, que é a Importância da representatividade. Sabemos que no quesito identificação, a grande mídia tem um poder imenso e transformador de destacar pessoas, seja por reality shows, novelas, matérias, desenhos etc. Mas aí já apontamos um problema recorrente: Há representatividade diariamente na mídia? Quantas pessoas com deficiência você assiste? Os desenhos infantis abraçam a inclusão colocando personagens com algum tipo de deficiência evidenciando a existência das mesmas na sociedade?

 

reprodução: Instagram Bernardo Mendes

Mostrar à crianças com deficiência que existem pessoas como elas em lugares de destaque, sem aquele olhar de "exemplo de superação", "guerreiro" ou "coitadinho" é essencial no crescimento pessoal de cada uma delas e também na vivência em sociedade. Ao se enxergar em uma pessoa que ocupa um lugar de destaque é primordial para que a criança reforce a sua autoestima, confiança, segurança e identidade, ainda mais quando essa pessoa está atrelada à beleza, inteligência, potencial e capacidade. Com a insaciável vontade me comunicar e fazer mudanças positivas na sociedade, comecei a criar conteúdos para a internet, mas jamais imaginei que um dia, eu me tornaria essa "figura representativa" para outras pessoas. Tudo começou em 2020, onde relatei um episódio de capacitismo (preconceito e descriminação contra pessoas com deficiência) que sofri no 6° ano ano do Ensino Fundamental. Esse relato foi através de uma publicação em meu Facebook que se tornou viral e foi compartilhada por milhares de pessoas e a foto teve tanta relevância que foi parar em páginas famosas, como a Quebrando o Tabu entre muitas outras. E a partir disso, comecei a receber diversas fotos de mães atípicas, onde seus filhos possuem a mesma deficiência que a minha, agenesia de membros (má formação congênita). E a partir do que veio acontecendo, comecei a refletir que na minha infância, a representatividade fez muita falta. Por que à cada coisa comum do dia a dia que eu fazia, as pessoas se colocavam em uma posição de aplaudir, mesmo que aquilo também fosse capacitismo. O capacitismo dá essa ideia de que somos tão incapazes que merecemos aplausos por tudo que fizermos (e quando eu falo, é tudo mesmo). Mas, se houvesse mais pessoas com deficiência mostrando que a deficiência não passa de uma característica humana que faz com que tenhamos demandas diferentes e que tá tudo bem, essa ideia de supervalorização vinda de pessoas sem deficiência iria ter um fim. Em alguns programas de televisão pude evidenciar como a falta de inclusão faz falta no âmbito social e como a presença de mesma beneficia todas as pessoas, de um modo geral. Estourando bolhas sociais que fazem com que as pessoas nos vejam com um olhar de infantilização, o que nos prejudica muito ao decorrer da vida. Essa construção social que vem nos inferiorizando faz com que tenhamos que provar nossa capacidade diariamente, principalmente em entrevistas de empregos. E para quem pensa que a vida da pessoa com deficiência é mais fácil por conta das cotas, está muito enganado, pois nós ocupamos apenas 1% de todas as vagas de emprego.


E como podemos nos destacar se não temos, ao menos a chance de mostrar nosso potencial? Dando espaço para que possamos falar por nós mesmos, dar o nosso ponto de vista, ocupando nosso próprio lugar de fala. Isso se torna primordial para a desconstrução desse sistema preconceituoso que excluí e segrega milhares de pessoas todos os dias. E você, pessoa sem deficiência, pode ajudar muito, começando a acompanhar realidades diferentes da sua, se permitindo desconstruir e ajudando na causa escutando mais e deixando então, de reproduzir pensamentos preconceituosos no qual você foi ensinado durante toda a sua vida. Representatividade importa muito!

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Sitevip Internet